11.12.13


Namoradeira é mulher dileta.

Sabe ser formosa e capricha
em ser bonita e cheirosa.
Ama a vida, o Sol, a chuva e o luar.
Põe um vestido florido e
nem carece de se pintar...

Reflete as maravilhas que percebe:
a verde cura do figo, o azul da calma
no céu da alma, o branco da paz
que só quem sabe amar traz.

Namoradeira é mulher vaidosa.
Veste saias - como toda mulher feliz*.
Emana graça e sorrisos
e cresce ao ver florir as sementes
que espalha ao redor de si.

Toda mulher sabe ser namoradeira.
É só escarafunchar aí dentro
e buscar o requinte da simplicidade.
SER mulher em sua plenitude, 
receptiva por natureza, alquimista,
a transformar em beleza tudo o que vem:
da cor desbotada, nuvem negra, mau-humor,
desamor e até mesmo a dor...

Mundo de namoradeira é puro encanto,
maior prova do bem viver.
Ainda mais se tem a sorte
de sentir pulsando forte
o peito, as mãos, o olhar atento,
de seu eleito bem querer.




* Assim dizia minha bisavó...



(foto Bento Botega)

17.10.11

16.9.11

do invisível ao visível
























massa e energia em interação

o barro nas mãos do artista

a beleza que emerge

casa em modelagem

ser fecundado tomando corpo

nascendo na forma

abrindo portas de percepção

do inaudível ao canto

do intocável à carícia

do inodoro ao perfume

do sensabor ao beijo

do invisível ao visível
 
 
Lua em Touro, dropsastrais in
http://www.amandacosta.com.br/






 

 

9.8.11

Arte Popular do Brasil

Surpresa boa encontrar essa cuidadosa matéria sobre
Alex Botega nesse lugar lindamente enfeitado:


Fizeram uma ótima seleção de suas obras, muito bom relembrar tanta beleza...


Essa foi a primeira foto q publicamos nesse blog, para inaugurá-lo!

Visitem o site acima, que mostra muitos outros artistas
de nossa vasta e rica cultura popular.

Sinta Pirenópolis

Duas especiais publicações sobre a cidade:

http://claudia.abril.com.br/materias/4850/?pagina2&sh=31&cnl=31&sc=

http://www.bysecret.com/dicas/f012bc1a68-pirenopolis-lugar-para-descanso-perfeito.jsp

Tiana


Grandona, bonita, a Tiana!
Abre as portas, as janelas,
Lá está ela, semp'serena
Perfumada a te esperar...

Derramar flor, luz e riso!
Alegria de viver
E ver tudo crescer.

Conhecedora dos ciclos,
Vive chuva, sol e luar.
Segue o sussurro do seu coração
E inspira-nos o puro amar...


11.7.11

Palas Atena




Deusa da Justiça e da Razão,
Guerreira que combate a tirania.
Livre-nos da cruel opressão,
para que vivamos em Harmonia.

Palas Atena

Deusa da Justiça e da Filosofia,
que a tudo vê com sábia razão.
Dê-nos um pouco de sua sabedoria
para que enxerguemos na escuridão.

(Márcia Frazão)



22.9.10

E a Bidiu....você viu?




Quem foi que disse
que duendes
só são encontrados
nas matas virgens
e que só se deixam ver
nas noites de lua cheia?

Pode até ser esta a regra
mas todas têm sua exceção
e foi isto que tornou possível
se ver e conviver
com um duende mulher e menina
que transitava em plena luz do dia
na cidade da meia ponte
Lá vinha ela com seu bornal
no peito trazia o crachá
que dizia chamar-se Otilia
Otilia ninguém sabia
pois o povo que a conhecia
só a chamava Bidiu






Seu corpo miúdo
vestido de chita
seu sorriso constante
e mão estendida
cativava o passante,
morador ou viajante

Bidiu,
duende menina
nos anos avançada
trazia sempre a mesmo toada
cabô o arroz, cabô o feijão, cabô o café

E agora
sem nem mais nem porquê
quis o criador que pra nós Bidiu
CABÔ !

Seu Ico velho sineiro,
Badalou nos céus
Chamou Bidiu
Pra comer biscoitos da Benta
E entoar cantigas cochichadas
De velhos meninos que sempre foram.

E em nós Senhor
que aqui ficamos?
só as saudosas lembranças
de em nós as crianças
sem Ico
sem Benta
sem Bidiu......... Isso não se faz viu!!!



Tadeu -22/06/2010

16.1.10

Mudim Vila Rica envia




Sua arte e sua vida
numa mesma tela, inspira
se não dois mundos
num gesto simples e exuberante
um mergulho profundo, belo
como uma mariposa que cambeleia no ar
parece que vai cair
parece que vai voar
 
 






22.12.09

Romantismo de sol

Data: Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Tópico: Tribuna de Anápolis





Artes plásticas - Trabalhos do escultor Botega expostos na Galeria de Arte Antônio Sibasolly revelam tendência histórica da sensibilidade nacional: os 'dribles' sensuais no lirismo





Allyson de Sousa



É letra corriqueira, entre os autores clássicos do que se convencionou chamar pensamento social brasileiro, a valorização do volume ao se abordar o escorregadio tema da forma como o lirismo se apresenta entre a gente nacional. De Gilberto Freyre ao etnólogo potiguar Luiz da Câmara Cascudo, toda uma geração de autores destaca o "exagero da carne em enxúndia" (Casa-Grande & Senzala), os "arcos voltaicos das formas arredondadas feminis (Made in África), uma certa forma de melindrar a sensibilidade amorosa que seria cara a brasileiros de todas as regiões.



O sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, em Raízes do Brasil, vai buscar em uma persistência até certo ponto incômoda do romantismo as origens desse apego, para o autor exagerado, às formas superficiais de sociabilidade transformadas em manifestações culturais por esse movimento de além-Atlântico, de Castro Alves a Pedro Américo. Para Hollanda, o Romantismo - e não todo Romantismo, mas a versão brasileira do movimento - teria sido o responsável por esse "viver nos outros" que representa a individualidade e a versão brasileira do Belo: algo exterior àquilo que um alemão da era wagneriana, de dentro de seu apartamento de móveis biedemeier e seus nervos avassalados pelos movimentos das notas e escalas do Lohengrin, guardaria para si, sob a forma de adoração insatisfeita a mulheres pálidas e caracterizadas pelo pouco corpo.



É esse exagero da carne como elemento estético, à primeira vista destinado a satisfazer de exotismo até mesmo a olhos tropicais, o que se percebe à primeira vista na obra do artista plástico Botega. A pequena digressão pelo sentido histórico do movimento romântico no Brasil exposta acima facilita as coisas na explicação dos móveis e origens do trabalho do escultor. Ao invés de mera exposição da mulher de retorno do mito da brasileira como uma superexcitada sexual, Botega se inscreve em um repertório sensitivo que tem origem em uma sensibilidade de retorno ao tipo de lirismo que comunica permanências românticas, sobretudo, na arte moderna brasileira.



Os ancestrais mais diretos de sua escultura - as obras do baiano Caribé e do carioca Di Cavalcanti - garantem a ruptura com o rótulo fácil. A beleza carnal em seus trabalhos busca as horas do cotidiano e de relaxamento do corpo, martelado pelas horas mortas do dia, despercebido de suas próprias dimensões curvilíneas. Ao invés das mulatas dos romances naturalistas, suas figuras femininas se aproximam das mouras encantadas, para Gilberto Freyre a primeira diferenciação de peso na formação do lirismo ibérico em relação ao restante da Europa, e que tanta importância teve para a formação do imaginário sexual masculino nas sociedades ibero-americanas.



Em Botega, mamilos rompendo aos borbotões de vestidos de encarnado e pélvis saltando das saias em tensão libidinal são antes resultados de tardes avarandadas que o motus animi com vistas a seqüestrar a imaginação sexual masculina. Ademais, o primitivismo das Grandes-Mães também é sugerido pela presença de ventres expandidos, os grandes seios em linha reta, a cabeça ereta. Dir-se-ia que Nix e a Afrodite Urânia compõem parte considerável de sua intenção alegórica.



Em Di Cavalcanti, a cor ganha status de elemento construtor do mundo e das pessoas. É ela que descortina o mundo. Suas miragens de Itaparica (as mulatas de ar desdenhoso e bocas vermelhas) foram convertidas, três a quatro décadas após a Semana de Arte Moderna de 22, nesse revival do Romantismo à brasileira que é a Bossa Nova. Em ambos, uma superficialidade originada no romantismo à Joaquim Manoel de Macedo, o autor da Moreninha, é o que predomina, em uma tradição somente rompida, nos interstícios entre cultura erudita e popular no Brasil, pelo samba-canção. A modinha é outra manifestação cultural de um tipo de abordagem do sentimento amoroso cuja virtude consiste em, precisamente, manter-se epidérmico aos perigos do amor à Werther, assassino frio e refinado, aproximado pela poesia moderna à metáfora do esgrimista de Charles baudelaire.



A fuga à profundidade como forma de se evitar a tragédia como fenômeno estético é a marca da escolha pela forma "em enxúndia" presente nos trabalhos de Botega. Dir-se-ia que aquilo que viceja fértil na cultura alemã até, pelo menos, a ascensão de Hitler ao poder, é o tema a ser evitado pelo repertório sensitivo lírico nacional. Um frescor báquico, de repercussões carnavalescas, é adotado pelo artista na escolha do exagero da carne como estratégia para promover desvios ao componente trágico presente nas escolhas líricas. Nesse caleidoscópio cavalcantiano, a herança portuguesa (a tendência para o arredondamento, a atenuação e a horizontalidade do caráter), contrastada com o caráter espanhol (o vulto anguloso, gótico, grecóide na deformação, ligado à leyenda negra do castelhano), também entra como ingrediente nessa construção da mulher como uma curiosa fonte de felicidade.



Os trabalhos de Botega revelam um interessante componente da formação do caráter nacional. Um curioso (mas de forma alguma antipático) medo das perigosas incursões mais aprofundadas da sensação lírica em suas condições brasileiras de produção. Trata-se de mais um capítulo dessa longa história de suavização de contrastes a que se chama cultura nacional. Uma aventura feita de medo, rotina, mas de uma convidativa malemolência, feita de verões tranqüilos e esconjuros a tempestades que outros povos encararam mas que as gentes que aqui se fundiram evitam, talvez com razão.

















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25.11.09

EXPOSIÇÃO




de 27 de novembro à 22 de dezembro de 2009
no Anexo da Galeria Antônio Sibasolly
Praça Bom Jesus,101
Centro de Anápolis
Goiás



A abertura da exposição será sexta-feira agora, 27 de novembro, às 20 horas



         
Botega une em sua ação criativa o sentimento e o pensamento superior

- esse quase desconhecido e negligenciado
por teorias e técnicas que enquadram e dividem.
Mostra sua arte de forma livre, integrada e harmoniosa.
Sua mensagem é de beleza e leveza,
vinculada à intenção de “descomplicar” o que vemos.

Aos que chegarem à essa exposição, cuidadosamente promovida,
pede-se apenas que despojem-se de suas armas e medidas.
Exercitem a entrega pura e submetam-se à conversa sutil
derramada por cada criação.

Botega tem sua força no propósito real e elevado de
encantar o mundo com seus exemplos de gente,
amorosamente nascidos de suas mãos.

Sintonizem-se com suas curvas e cores
e levem para suas vidas os tesouros imateriais que
ele nos oferece através de sua essencial simplicidade.